05/07/2010 - A Evolução do Rodeio - veja a matéria da Revista “É Rodeio” na edição de Julho/2010
 

Nesta matéria, publicada na revista “É Rodeio” de julho, o empresário e produtor Paulo Gomes mostra o crescimento e a evolução do rodeio brasileiro na visão de quem vivenciou e participou de parte desta história nos últimos 15 anos.


A EVOLUÇÃO DO RODEIO

            Senti-me feliz e honrado por ter o privilégio em escrever este artigo para esta conceituada revista “É Rodeio” e me sinto à vontade em falar sobre a evolução do rodeio, dentro da ótica da locução profissional e do segmento fonográfico e editorial, pois tenho o privilégio de ser o precursor de alguns destes acontecimentos dentro do rodeio brasileiro.

            Passei a ser adepto deste fascinante esporte, chamado rodeio, no ano de 1.995 quando ainda atuava como empresário varejista e atuava na comercialização de LPs, K-7, CDs e assessórios musicais e sequer havia freqüentado  uma festa de peão, tampouco acompanhado um rodeio, seja profissional ou amador.

            A tecnologia do Compact Disc era recente ainda e foi ao perceber este ‘’filão’’, ainda não explorado, da comercialização de CDs contendo narração de versos e montarias em coletâneas musicais, que resolvi pesquisar a fundo o ‘’mundo do rodeio’’.

            Há época descobri que o esporte ainda era recente e um pouco marginalizado, principalmente por pessoas que imaginavam que os animais eram maltratados, sem contar que nas festas de rodeio e exposições o que predominavam eram os shows e que o rodeio ainda era um coadjuvante.

            No que diz respeito à locução de rodeio descobri que o precursor e referência da narração profissional, mesmo que de forma simples devido às condições da época, era o locutor Zé do Prato, que era uma figura de destaque e, até então, o único locutor de rodeio a participar de um LP, narrando, em uma música do cantor Sérgio Reis.

            Seguindo a evolução da locução profissional, destacava-se há época o locutor Asa Branca, um sucessor nato e, podemos dizer discípulo de Zé do Prato, a quem acompanhou nos rodeios desde o inicio, tal qual ocorreu com o mestre Barra Mansa e com o locutor Jorge Moisés que começaram como auxiliares de Zé do Prato.

            Com Asa Branca o rodeio entrou em uma nova fase da locução, onde ele inovou a maneira de narrar, principalmente suas entradas diferenciadas, seja a cavalo, com carros ou camionete e com as entradas inovadoras utilizando helicóptero, descendo no centro da arena e que virou sua marca registrada. Além destas entradas impactantes, Asa Branca criou seu estilo, inovador e arrojado, de ir ao encontro do público, utilizando o apoio do trabalho de um sonoplasta, com músicas de efeito, interagindo e fazendo com que todos participassem junto com ele das emoções dentro da arena.

            Foi após esta pesquisa e já com a idéia de criar um CD onde mesclássemos uma coletânea das musicas tocadas no rodeio e, nas entre - faixas, narração de versos e narrações, tal qual ocorria no rodeio e eram comercializadas através de fitas k-7 por alguns locutores e DJs durante os eventos. Apesar de uma idéia relativamente simples nenhuma gravadora havia, até então, pensado em produzir isto em escala comercial.

            Com o projeto pronto levantei um repertório de músicas e artistas com os quais tinha amizade e procurei um locutor que pudesse fazer a parte de locução. Como não era do mundo do rodeio e não tinha nenhum conhecimento à respeito dos profissionais da área, acabei me utilizando de um locutor de rodeio, ainda de pouca expressão na época, que participava de um programa de rádio e que era patrocinado por nossas lojas, no caso Marco Brasil.
É como ele próprio sempre dizia, há época, o cavalo passou arreado e estávamos no lugar certo e na hora certa, pois foi através deste projeto que, de início, visava apenas a venda de alguns CDs, que acabei criando o que eu chamo, sem falsa modéstia, a terceira geração na evolução da locução de rodeio.

            O projeto tomou forma, uma grande gravadora teve interesse por ele e a MTV, que começava a gerar os sinais da primeira TV com conteúdo musical 24hrs no Brasil, entrou na parceria e lançamos na Festa do Peão de Barretos o CD Bailão de Peão – com Marco Brasil, que atingiu a expressiva venda de 800 mil cópias vendidas em um ano.

            Sem falsa modéstia, a evolução da locução profissional no rodeio está diretamente ligada a este meu projeto e a partir dele os locutores de rodeio deixaram de ser meros coadjuvantes e passaram a ser atrações das festas, no decorrer do tempo.

            Daí surgiu a figura do locutor show, que se tornou uma das atrações do evento, foi a partir disso também que criei o primeiro escritório de eventos voltado a um locutor de rodeio, sendo Marco Brasil o primeiro locutor de rodeio a possuir um empresário artístico, uma equipe profissional e um staff como os grandes artistas, inclusive foi esta empresa: a Paulo Gomes Assessoria e Eventos que realizou, pela primeira vez, um rodeio nos Estados Unidos, com a narração de Marco Brasil, para os brasileiros que lá residem e, até hoje, anualmente alguns locutores brasileiros realizam eventos em cidades americanas.

            Ainda na área de locução podemos destacar diversos profissionais da narração que, dentro de suas características e de seu estilo, se tornaram destaques nas festas e passaram a ter o merecido destaque na divulgação dos eventos, com suas fotos em cartazes e sendo equiparados aos artistas de palco, coisa que há 15 anos era praticamente impossível de se ver, pois os cartazes e as demais ações na mídia destacavam apenas a grade de shows e, com relação ao rodeio profissional, quando muito se destacavam as companhias de rodeio.

            Existem locutores tradicionais, como o mestre Barra Mansa e Ivan Diniz que já ultrapassaram a casa dos 20 anos ininterruptos de atividade profissional, mas que, somente a partir desta mudança começaram a ser destacados como atrações das festas de rodeio, da mesma forma, alguns novos talentos da locução começaram a se destacar, como é o caso de Glaydson Rodrigues e Almir Cambra, que conquistaram um lugar de destaque e são presença obrigatória na grade de atrações das grandes festas e exposições, tanto que sempre foram destacados para comandarem a locução profissional dos circuitos de rodeio que, volta e meia são criados por grandes empresas para explorarem este nicho comercial, cada vez mais crescente, que é o rodeio.

            A evolução também vem da criação de um novo profissional da locução, o locutor padrão, criado por Siderley Clein e divulgado por Marco Brasil e por mim em todos os eventos da época, bem como utilizando sua narração em todos os projetos fonográficos que até hoje lançamos no rodeio. Até então o que se via em rodeio era a figura do locutor comercial, que se limitava a divulgar os apoiadores da festa, a partir de Siderley Clein, se criou um novo profissional, o locutor padrão, que atua conjuntamente com os locutores e fazem uma grande diferença no contexto da festa, tanto que Siderley Clein foi o primeiro profissional, além do locutor de rodeio, a ter seu nome destacado nos cartazes das festas como atração.

            Realmente podemos dizer que hoje o rodeio brasileiro está completamente estruturado e tem uma enorme visibilidade graças ao investimento de grandes empresas que, há 10 anos vem enxergando neste segmento um grande filão comercial e tem investido em circuitos de rodeio, programas de TV, etc, valorizando e mostrando os grandes profissionais de rodeio em todos os segmentos. Hoje os profissionais de rodeio são na maioria profissionais estruturados e contam com assessoria de todos os tipos, também as companhias de rodeio possuem hoje uma enorme infra-estrutura e as festas de rodeio se transformaram em palcos de mega-eventos.

            Hoje contamos inclusive com revistas especializadas, como a “É Rodeio”, que nos permitem dar este testemunho e mostrar toda esta evolução e expor minha pequena contribuição na criação de projetos que foram, e se Deus permitir, serão perpetuados e aperfeiçoados dentro do rodeio.
Agradeço a oportunidade dada para que eu pudesse estar compartilhando estas informações permitindo que as pessoas, que por ventura não tivessem conhecimentos destes fatos, possam conhecer uma pequena parte do que foi desta evolução dentro do rodeio brasileiro e possam valorizar, ainda mais, todos os profissionais que fizeram e continuam a fazer do rodeio uma paixão nacional.

Paulo Gomes
Empresário e produtor artístico.

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